quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Quando..

Quando foi que eu cresci
E deixei de ser criança?
Quando foi que eu
Abandonei minhas bonecas
E comecei a achar que era madura
O suficiente para enfrentar problemas?

Qual foi o dia
Que eu me encarei
E vi nos meus olhos a ausência
Da inocência infantil
Quando foi que reparei
Que meus conjuntos rosa-choque
Não me serviam mais?

Quando foi que me tornei
Tão cheia de afazeres que
Esqueci de olhar o céu
Os rostos
Os sentimentos
Quando foi que me tornei "gente grande"?

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Minha falta de criatividade


Letras de músicas, poemas, poesias, sonetos, crônicas, textos, versos (simples), palavras, até mesmo olhares... uso os dos outros para me expressar. Gosto muito de mostrar para todas as pessoas quando encontro algo que me toca e tem a ver comigo e como o que estou vivendo, mas neste ano de 2009 fica aqui uma das minhas resoluções (cujas só o meu diário conhece): me expressar através da minha poesia, meu poema, minha música, minha dança, meus versos simples, minhas palavras e meus olhares...

Happy New Year...


terça-feira, 9 de dezembro de 2008

MEU mundo

O calor que emana da rua, do céu, das paredes e do chão não fazem a menor diferença para Ela. Ao caminhar Ela praticamente flutua e emana um frescor tão irreal, quase como se Ela o tivesse roubado da chuva e do orvalho. Imersa em seus pensamentos, Ela vive seus dias num mundo só seu, e lá as pessoas só são convidadas a entrar se forem sinceras merecedoras.
Neste mundo, os momentos são embalados por uma trilha sonora minuciosamente escolhida e perfeita para eles. O clima muda de acordo com o ânimo dEla.
Apesar de ser uma metamorfose, o mundo dEla é um lugar sagrado, belo, agradável... Neste universo particular existem outras belas que são frequentadoras tão assíduas que ele é um pouco delas e elas são um pouco dele.
Elas são as flores que deixam seu aroma quase palpável no ar, são a chuva de verão, o pôr do sol na praia, são a dor na barriga causada por gargalhadas constantes... As amigas que povoam este mundinho individual dEla são portadoras da beleza e alegria que o faz tão peculiar.
E ao continuar sua aérea caminhada, com seus pensamentos tão altos quanto o céu, Ela percebeu que ISSO era tudo que ela precisava. Só dela mesma e do seu mundinho.

"I, Me, Mine (The Beatles)"

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Desorientação

O céu era de um azul bem claro, e o horizonte estava tingido de dourado, aquele dourado que antedece o vermelho, quase cor-de-rosa do pôr do sol. Reparei que desde criança eu vejo as cores que eu quiser no céu, quem manda é minha imaginação, e posso dizer que tenho talento para imaginar as coisas mais bizarras, nunca imaginadas antes. Bastou uma olhadela rápida para cima para constatar esse cenário, e depois meu olhar continuou perdido, não parava em nada específico, da mesma maneira que meu destino era incerto e meus pés dentro daqueles tênis velhos iam para onde bem entendiam. E eu não me importava já que minha mente e meus pensamentos estavam embaralhados do jeito que eu gosto. Tem gente que gosta da bagunça do quarto, do guarda-roupas, já eu gosto da bagunça da minha mente. E aparentemente, não consigo manter muitas coisas em ordem, nem mesmo as palavras escritas.

O fato é que, aquela falta de rumo e organização daquela tarde eram intencionais, já que meu estado de espírito era de total desorientação, de completa bagunça interior. Nesse caminho, meu pensamento se perdia no assunto que não é necessário um problema gigante, uma tristeza desmedida, ou até mesmo uma perda valiosa para nos deixar sem rumo. Tudo depende do teu amanhecer, do teu despertar, do teu humor, e no caso das mulheres, da tua TPM (ou não), essas coisas básicas afetam, e muito! E meu escape era dar vazão a minha "bagunça" através dessa total desorientação física, comprovando o quanto sou estranha, assim como a minha frustação, estresse e raiva são extravasados com alguns gritos soltos com o maior volume que minha voz alcançar, no meio do nada.

A moral é que, no meio do caminho pro nada eu parei. Tipo louca, falando sozinha, resmugando contra a vida bandida, parei. Repeti meu gesto descrito no começo do texto: olhei para cima, pro céu, depois olhei para os lados, para tudo que me cercava... gostaria de descrever o lugar como uma linda praia deserta, ou um jardim cheio de lindas "flores que voam", mas era apenas a rua, suja e vazia, com poucas árvores e pouca cor, mas pude me transportar para esses lugares num piscar de olhos. Naquele momento fui grata por tudo, e minha gratidão era direcionada a Deus, pela Sua imensa sabedoria em bagunçar minha vida, e logo após isso tudo, toda minha bagunça e desorientação interior foram levadas embora, como se por uma brisa divina. Virei as costas àquele lugar e à minha desorientação física, me localizei e iniciei minha caminhada de volta ao meu local de partida. E foi um percurso percorrido com serenidade e leveza.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A espera

Ela é a mulher
Que ele quer
Os cabelos ao vento
Que levam o seu alento
O olhar faísca
A pálpebra pisca
Lentamente,
Misteriosamente.
Debaixo de tal calma
A angústia fere a alma
O olhar busca o horizonte
O sonho é a ponte.
Ela aguarda o alarde
Daquele, que já vem tarde
Ao engano já se entregou
Mas a esperança, retornou
Quando a súbita emoção
Lhe encherá o coração
E os olhos de um azul-mar
Com ele irão se encontrar
E antes de mais nada
Com aquela voz embargada
O amor irá lhe falar:
"Perdoa-me, amada
Por tê-la feito esperar."

sábado, 26 de julho de 2008

Divagações

As pessoas costumam falar comigo. Falam muito!

Mas falam tanto e não falam nada.

Sinto falta de ter alguém para conversar assuntos com conteúdo, de alguém que divague comigo sobre música, filmes, livros, Shakespeare e suas citações, Vinicius de Moraes e seus textos atordoantes, sobre pessoas e suas qualidades, não seus defeitos.

Alguém com quem o sorriso seja constante e a risada seja espontânea.

Eu adoro rir alto, jogar a cabeça para trás e rir. Sinto falta de alguém que me faça rir assim, até minha barriga doer e não me reprima por rir em alto e bom som.

Sinto falta de uma roda de amigos, com um violão e músicas conhecidas, músicas de acampamento, uma fogueira e um chimarrão (sim um chimarrão, sou do sul!), sinto falta das piadas bobas que contamos e rimos tanto.

Minha juventude nem passou ainda, mas achei que eu ia aproveitar dela de uma maneira muito mais divertida do que essa que é comumente usada pelos jovens hoje.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Ah, a sinceridade...

O ser humano tem uma vasta experiência em enganar, ser falso e mentir. Eu tenho uma vasta experiência em relacionamentos assim. Quando digo relacionamentos não se limita a relacionamentos amorosos, mas em casos que você pensa que tem alguém do teu lado, mas quando olha, você está simplesmente sozinho. Algumas amizades também morrem por causa disso.

Muitas.

De repente você está vivendo a tua vida tranqüilo, na sua consciência você sabe que não fez nada a ninguém, mas quando menos espera, você percebe que não é correspondido, que sua amizade que você dedicava todo carinho não é realmente importante para a outra pessoa.

Ela te engana, te descarta, supera você. Ela ainda, depois disso tudo, não acredita em você, não acredita que você possa ter mudado, que você vai mudar, que você merece credibilidade.

A sinceridade sempre foi o segredo mágico de todos os relacionamentos. Fácil e simples. Mas inexistente.

Tenho aprendido na marra, a ser sincera. Tenho aprendido com as decepções a exercer honestidade, por mais que doa em mim ou em qualquer outra pessoa, ela remedia qualquer futuro desentendimento, ela alimenta o afeto e faz o relacionamento crescer em bases sólidas. Sei que pessoas que fazem parte da minha vida têm aprendido isso também, e tem sido muito importante e satisfatório para mim, temos plantado sementes sadias que vão dar frutos puros.

Apesar das minhas decepções e das muitas lágrimas que esses rompimentos acarretam, eu me regozijo em perceber quantos relacionamentos honestos eu tenho! Quantas pessoas que correriam se soubessem que preciso de ajuda, que estão comigo em qualquer situação, que se importam e que (o mais importante) são sinceros, por mais que doa em mim, eles são diretos comigo e me dizem onde eu erro. E eu cresço com isso, amadureço, me fortaleço! E são vocês, amigos sinceros que me incentivam a continuar a acreditar nas pessoas, por que foi acreditando em amizades de verdade que eu conheci todos vocês.

" Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.(...) E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências ..." (Vinicius de Moraes)

Moral de tudo: sinceridade.